ECU Athlon - Problemas de Partida a Frio

Se você está tendo problemas de partida a frio na sua CRF 250F ou CRF 300F equipada com a ECU Athlon e mapas da Force Cam, neste artigo vamos explicar como identificar corretamente a causa do problema e como fazer os ajustes necessários para corrigir ou melhorar bastante o funcionamento da moto.

Antes de começar, é importante entender que os mapas de injeção que enviamos pré-carregados na central são desenvolvidos utilizando nossos próprios setups de teste. Ou seja, utilizamos as peças originais da moto e/ou componentes que conhecemos muito bem, como comandos Force Cam, escapamento Belparts Force Cam Edition, entre outros.

Quando esse mesmo mapa é utilizado com uma combinação diferente de peças, principalmente outro modelo de escapamento, é perfeitamente normal que seja necessário algum ajuste fino. O mapa-base continua sendo uma excelente referência, mas pode não casar exatamente com o fluxo de ar e escape daquela configuração específica.

Por esse motivo, alguns sintomas podem aparecer, como dificuldade para pegar a frio ou a moto pegar normalmente e morrer logo em seguida.

Partida e marcha lenta são coisas diferentes

Esse é provavelmente o ponto mais importante de todo o ajuste.

Durante o processo de ligar a moto existem basicamente duas etapas:

  1. Partida: o motor de arranque gira o motor até que ele comece a funcionar por conta própria.
  2. Sustentação da marcha lenta: depois que o motor pegou, ele precisa continuar funcionando sem apagar.

Na grande maioria dos relatos de "problema de partida a frio", a moto na verdade pega normalmente, mas morre poucos segundos depois.

Nesse caso, o problema não está exatamente na partida. Está na sustentação da marcha lenta.

Saber identificar essa diferença é fundamental, pois os ajustes são feitos em áreas diferentes da ECU.

É problema de PARTIDA quando:

O motor de arranque gira, gira e a moto não pega, demora muito para pegar ou só começa a funcionar quando você ajuda abrindo levemente o acelerador.

É problema de MARCHA LENTA quando:

A moto pega rapidamente, o motor começa a funcionar normalmente e, logo em seguida, a rotação cai e o motor apaga.

Antes de fazer qualquer alteração, recomendamos tirar prints ou anotar os valores originais do mapa. Depois de vários testes aumentando e diminuindo valores, é muito fácil perder a referência inicial.

Caso seja necessário restaurar completamente o mapa aos valores originais, basta carregar novamente o arquivo do mapa na central. Se você não tiver mais esse arquivo, entre em contato conosco por e-mail para solicitá-lo.

1. A moto demora para pegar ou só pega acelerando

Se o motor de arranque gira durante algum tempo e somente depois de insistir a moto começa a funcionar, ou se ela só pega com uma pequena abertura do acelerador, estamos diante de um problema de PARTIDA.

Normalmente isso acontece porque há combustível demais ou combustível de menos durante os primeiros giros do motor, geralmente em rotações muito baixas, aproximadamente entre 400 e 800 RPM.

A Athlon possui uma área específica para esse ajuste.

Acesse:

Menu > Acerto (Tuning) > Partida (Start)

Depois entre em:

Tempo de Injeção na Partida x Temperatura (0 TPS)

Nessa tela você encontrará um gráfico que determina o tempo de injeção utilizado durante a partida de acordo com a temperatura do motor.

Você pode alterar apenas uma determinada faixa de temperatura ou modificar toda a curva.

Por exemplo, se a moto apresenta dificuldade somente quando está fria, trabalhe inicialmente nas temperaturas mais baixas, como 0, 20 e 40 °C.

Se a dificuldade acontece tanto com o motor frio quanto quente, pode ser necessário alterar uma faixa maior ou toda a curva.

A lógica é sempre tentar atuar somente na região em que o problema acontece.

Como alterar os pontos do gráfico

No gráfico existe uma bolinha vermelha indicando o ponto atualmente selecionado.

Utilize as setas abaixo do gráfico para mover essa bolinha até a temperatura desejada.

Depois, utilize os botões + e - para aumentar ou diminuir o tempo de injeção naquele ponto.

  • + = mais combustível
  • - = menos combustível

Você também pode escolher o tamanho de cada incremento, normalmente entre:

  • 0,01 ms
  • 0,1 ms
  • 0,4 ms

Pressionando o botão correspondente ao incremento, você escolhe quanto cada toque nos botões + ou - irá alterar.

Se quiser modificar todas as temperaturas ao mesmo tempo, altere o modo de PONTO para TUDO.

Quanto devo alterar?

Na partida, uma diferença de apenas 0,1 ms já é significativa.

Normalmente já conseguimos perceber mudanças no comportamento da moto modificando aproximadamente 0,2 ou 0,3 ms.

Dependendo do caso, entretanto, pode ser necessário aumentar ou diminuir um pouco mais.

Devo colocar ou tirar combustível?

Essa é a parte que exige testes.

Como as CRFs não possuem originalmente sensor de oxigênio, ou sonda lambda, não temos uma maneira simples de saber imediatamente se naquele momento existe combustível demais ou combustível de menos.

E existe um detalhe importante: tanto uma mistura muito rica quanto uma mistura muito pobre podem causar dificuldades de partida semelhantes.

Pela nossa experiência, entretanto, uma grande parte dos problemas de partida encontrados quando se utiliza outro escapamento acontece por falta de combustível.

Isso ocorre porque o escapamento Belparts Force Cam possui características próprias de fluxo e nossos mapas são desenvolvidos considerando esse comportamento.

Quando um mapa desenvolvido para nosso conjunto é utilizado com outro escapamento, a quantidade de combustível necessária durante a partida pode mudar.

Por isso, como primeiro teste, normalmente recomendamos adicionar aproximadamente 0,3 ms no tempo de injeção da partida, na faixa de temperatura em que o problema acontece.

Faça o teste.

Se houver melhora, mas ainda não estiver perfeito, adicione um pouco mais e teste novamente.

Se aumentar o combustível não causar nenhuma melhora, ou deixar o comportamento pior, volte para o valor original e comece a testar no sentido contrário, retirando combustível.

Faça pequenas alterações, teste e observe a reação do motor. Com um pouco de paciência é perfeitamente possível encontrar o ponto ideal e deixar a partida muito bem acertada.

2. A moto pega normalmente, mas logo depois morre

Se a moto pega facilmente, mas poucos segundos depois a rotação cai e o motor apaga, então o problema está na MARCHA LENTA, mais especificamente na sustentação da marcha lenta logo após a partida.

Nesse momento, dois fatores são particularmente importantes:

  • Quantidade de combustível
  • Quantidade de ar passando pelo sistema de marcha lenta, controlado pelo IACV

E os dois podem estar incorretos ao mesmo tempo.

Na Athlon existe uma área dedicada especificamente a esses ajustes.

Acesse:

Menu > Acerto (Tuning) > Marcha Lenta (Idle)

Vamos começar pelo controle de ar, pois normalmente é o ajuste que produz a resposta mais evidente.

Entre em:

Curva Abertura Ar (IACV) x Temperatura

Nesse gráfico você controla a abertura do pistonete da marcha lenta de acordo com a temperatura do motor.

Assim como na tabela de partida, você pode modificar apenas determinadas temperaturas ou alterar toda a curva.

Se a moto só apresenta o problema quando está fria, trabalhe inicialmente nas temperaturas de 0, 10, 20 e 30 °C.

Se ela apresenta dificuldade em manter a marcha lenta independentemente da temperatura, pode ser necessário trabalhar em uma faixa maior ou em toda a curva.

Como ajustar o IACV

Existe novamente uma bolinha vermelha indicando o ponto selecionado no gráfico.

Utilize as setas para escolher a temperatura desejada e os botões + e - para aumentar ou diminuir a abertura do IACV.

  • + = mais passagem de ar
  • - = menos passagem de ar

Nesse ajuste, a unidade utilizada são passos do motor de passo do IACV.

Você pode escolher incrementos de:

  • 1 passo
  • 2 passos
  • 10 passos

Também é possível trocar de PONTO para TUDO caso queira alterar toda a curva simultaneamente.

Quanto devo alterar no IACV?

Normalmente trabalhamos nesse ajuste em incrementos de aproximadamente 10 passos.

Uma diferença de 20 ou 30 passos já pode produzir uma mudança bastante perceptível no comportamento da marcha lenta.

A lógica é simples:

Mais passos = IACV mais aberto = mais ar entrando no motor.

Com mais ar, a tendência é a marcha lenta subir e se sustentar melhor.

Se a moto pega e logo em seguida morre, adicionar mais ar pode ajudar bastante.

Por exemplo, você pode testar aproximadamente +30, +40 ou até +50 passos na faixa de temperatura em que o problema acontece.

Não aumente muito o ar sem corrigir o combustível

Esse é um detalhe extremamente importante.

Se você abrir bastante o IACV, estará colocando mais ar dentro do motor.

Se o combustível permanecer exatamente igual, a mistura pode acabar ficando pobre.

Por isso, muitas vezes o melhor resultado aparece quando ajustamos as duas coisas em conjunto: ar e combustível.

Volte uma tela e entre em:

Injeção Lenta x Temperatura do Motor

Ali você poderá adicionar ou retirar combustível da marcha lenta de acordo com a temperatura.

Nesse ajuste, uma diferença de apenas 0,1 ms já pode produzir resultado.

Como ponto de partida prático para uma moto que pega normalmente, mas apresenta dificuldade para sustentar a marcha lenta quando está fria, um ajuste frequentemente eficiente é testar aproximadamente:

  • +30 a +40 passos no IACV
  • Nas temperaturas de 0, 10, 20, 30 e 40 °C
  • Adicionar nas mesmas temperaturas aproximadamente +0,1 a +0,2 ms de tempo de injeção na marcha lenta

Isso não significa que esses valores serão perfeitos para todas as motos. Eles são apenas um bom ponto de partida para o ajuste.

Faça uma alteração, teste a moto e observe o comportamento.

Se melhorar, continue refinando naquela direção. Se piorar, retorne e tente o sentido oposto.

Sem uma sonda lambda instalada não é possível enxergar com total precisão o que está acontecendo com a mistura naquele momento, então parte do ajuste inevitavelmente será feita através da resposta do próprio motor.

Mesmo assim, com pequenos testes e um pouco de paciência, é possível deixar o funcionamento muito bem acertado.

3. E se o IACV chegar ao limite?

O pistonete do IACV possui um curso físico limitado.

Isso significa que chega um momento em que aumentar mais passos no mapa não irá produzir nenhuma abertura adicional, simplesmente porque o pistonete já atingiu seu limite máximo.

Na maioria das motos isso dificilmente será necessário.

Entretanto, em motores de cilindrada muito maior, como 310 cc ou 360 cc, principalmente utilizando comandos mais agressivos e funcionando em temperaturas ambientes muito baixas, a quantidade de ar necessária para manter a marcha lenta pode aumentar consideravelmente.

Se o IACV chegar ao limite, ainda existe outra forma de permitir a entrada de mais ar: a própria borboleta do TBI.

Quando o acelerador é solto completamente, a borboleta não fica absolutamente fechada. Ela permanece ligeiramente aberta justamente para auxiliar o sistema de marcha lenta.

Existe um parafuso limitador que determina o quanto essa borboleta permanece aberta na posição de repouso.

Ao apertar esse parafuso, você deixa a borboleta um pouco mais aberta com o acelerador solto, permitindo a entrada de mais ar e aumentando a marcha lenta de maneira geral.

Existe, porém, uma diferença importante:

O ajuste do IACV pode ser feito de maneira diferente para cada temperatura.

Já o ajuste mecânico da borboleta é geral e afetará o funcionamento em todas as temperaturas.

Por isso, recomendamos utilizar primeiro os recursos eletrônicos disponíveis na ECU e recorrer ao ajuste mecânico somente quando realmente necessário.

Atenção: sempre que alterar o parafuso de batente da borboleta, faça novamente a calibração do TPS 0 na ECU.

Resumo rápido

Se a moto gira bastante antes de pegar:

Ajuste a seção de PARTIDA, principalmente o Tempo de Injeção na Partida x Temperatura.

Se a moto pega facilmente, mas morre logo depois:

Ajuste a seção de MARCHA LENTA, principalmente o IACV e a Injeção Lenta x Temperatura.

Evite modificar várias coisas ao mesmo tempo. Faça pequenas alterações, teste e observe a reação do motor. Quando encontrar uma direção que produza melhora, continue refinando até chegar ao melhor funcionamento possível.

Esse é justamente um dos grandes benefícios dos recursos de ajuste da ECU Athlon: permitir adaptar o mapa-base às características específicas de cada motor, escapamento, preparação, combustível e condição de uso.

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